Fevereiro 2002

Olá!
Cá estou eu a dar um ar da minha (des)graça!

A única constante da vida é a mudança….
Nada mais verdadeiro, nada menos real….

Pois embora a monotonia nos esmague e nos mate pouco a pouco, a verdade é que a tudo nos podemos habituar e a tudo nos podemos conformar….

Felizmente há quem tenha o único hábito de viver.
Plenamente e com sentido!
Na mudança, um das expressões da Liberdade.

É bom cortar hábitos.
Faz me sentir vivos e começo a ficar adepto do que uma vez li sobre o que um filosofo francês escreveu.

“o meu único hábito, é o hábito de quebrar hábitos”.

Estranho no fundo mas que na realidade quotidiana não o é … somos escravos da rotina e morremos todos os dias repetindo como autónomos algo que programamos para a nossa própria vida.

Quebrar a rotina é preciso. Morrer não é preciso …

Já não há respeito.

Válvula de escape ou não, amizades à parte, e party girls MUITO atraentes, eis que após um repasto andaluz algo caro, faço a ronda às capelinhas e vou acabar na catedral. Bom N. e eu já não nos lembramos de uma ressaca assim no day after domingueiro quando nos encontramos perto do mar.
Afinal Jo. estava a fazer uma festinha de comemoração… e que foi até às tantas.

Provavelmente dei muito estrilho com G. C´est la vie …….

M. está cansadito e tristonho, pois tem toda uma potencial época de alterações à vista.
Nem sempre navegar em mar alto é fácil, muito menos sem bússola. A nossa vida é muitas vezes uma viagem no oceano rumo à terra prometida.

O comandante do navio é que decide.

Quem sabe ver as estrelas e calcular o azimute, sabe navegar longe da costa, em pleno mar alto. Nem todos os comandantes são suficientemente bons para saber as artes do seu ofício, não sabendo ler um mapa, ou usar uma bússola. Por isso ou deambulam ao sabor dos ventos, ou navegam ao longo da costa.

O mar deixa-nos ir em quase todas as direcções dependendo apenas da costa, das correntes e do vento que faz. Mas em mar alto, em plena liberdade de escolha de rota podem as forças da natureza fazer com que o comandante se veja forçado a alterar a sua rota.

As tempestades por vezes são tão fortes com ondas encrespadas e ventos contrários que têm que ser contornadas por uma rota menos directa.
Mas essa alteração de rumo pode não ser um contratempo, mas sim uma vezes uma benesse. Foi assim que supostamente Alvares Cabral descobriu a maravilhosa terra de Vera Cruz.

Na vida apesar de termos um rumo traçado com antecedência para o nosso destino, nem sempre o comandante o pode seguir à risca, devido a estas tempestades adversas. Mas se for um bom comandante chegará sempre ao seu destino, mesmo usando rotas de recurso, mesmo que tenha que inventar novas rotas e navegar por mares desconhecidos.
Na vida é preciso saber quando alterar a rota e calcular um novo trajecto quando se espera tempestade certa pela frente.

É isso que distingue grandes navegadores dos marinheiros de água doce da vida.

Pensei que os tormentos que passei no passado em relação ao trim-trim tinham terminado. Há uma meia dezena de anos, era eu ainda mais mocinho, uma mulher despeitada achou que fazer telefonemas anónimos durante 6 meses para minha casa, mantendo uma linha fantasma, daquelas em que ninguém responde do outro lado, era uma boa forma de me seduzir ou algo do género.
Nunca percebi o prazer de gastar dinheiro numa chamada telefónica, só para sentir alguém do outro lado e ouvir a sua voz sem se querer identificar ou falar. Acho que só os cobardes têm medo de dar a cara e acabam por ter atitudes infantis ou um pouco mentecaptas como incomodar alguém pelo telefone sem sequer lhe dirigir a palavra.

Quando digo tormentos não me refiro a aborrecimento, mas mais a ser algo diário rotineiro de algo inoportuno e masoquista.

Clockwise. Trim-Trim

Terei um appel sádico? Não foram seis meses que me chateassem. Depois da curiosidade inicial de imaginar quem esta a fazer aquilo torna-se patético assistir, dia após dia, a um degradar de orgulho e auto-estima. Não foi a única vez… E também não foi a última infelizmente…

Agora com o telemóvel a coisa voltou num formato semelhante. Já praticamente não atendo esse tipo de chamadas não identificadas ou de números estranhos. O problema é que agora me chateiam um bocadinho mais: descarregam-me a bateria do telemóvel…

Bom é caso para dizer que os meios de comunicação mudam, evoluem e tornam-se tecnologicamente mais avançados, mas as pessoas não… Acabam por ser basicamente as mesmas por dentro…