espaço

Muitos do que me são queridos, emigraram ou estão a pensar emigrar. Começo a achar que de facto a diáspora portuguesa é um triste fado. Esta nosso jardim à beira mar plantado parece ser incapaz de dar soluções a todos os que são mais empreendedores.

A maioria busca trabalho, ou trabalho mais bem remunerado. Eu pensava que a grande sangria emigratória de portugueses e portuguesas tinha acontecido nos 70s, porém depois da euforia dos 2000s veio a dívida soberana e desemprego dos 2010s. E eis-nos aqui mais pobres de amigos que se vão para outras paragens em busca de melhores oportunidades.

Portugal não carece de boa gente trabalhadora, mas sim e sempre assim, uma carência de líderes. O Sebastianismo e no fundo a grande tragédia lusitana, – liderados por alguém que liderou o país para o colapso por aventurismos patéticos – e ainda assim sendo desejado. Hoje como então somos a nobre nação de gente valente, mas que se deixa liderar por gente infantil e sem visão que torna todo o nosso trabalho e esforço em vão. Marchamos contra canhões numa fútil labuta diária na perspectiva de não empobrecermos mais. Não conseguimos a empreender porque não nos deixam, com toda a burocracia, entraves e imbecilidade histórica de velhos do Restelo. O conservadorismo e status quo das chefia e do estado pseudo- democrático é alimentada por interesses instalados e não por uma nova burguesia. Por isso há que dar a imagem que há espaço para crescer, mas tão só isso a ilusão de que é possível criar e empreender, criar riqueza.

Por isso me custa tanto que tantos dos que me são queridos tenham buscado terras onde o seu trabalho seja bem compensado. É Portugal essa eterna terra de emigrantes.

Ao entrar no espaço aéreo chinês, ele estará com 90 discos voadores e já terá ordenado que 45 de seus 90 discos voadores impeçam que Al Gore (que auxilia a Lúcifer) domine o Tibete. Enquanto ele (Jiang Zemim) com outros 45 discos voadores partam em defecção a nave Monte 3 para dar proteção aos 88 discos voadores de Nossa Senhora de Fátima (Maria III), que objetivava descer a Terra.

Excerto da A máquina

Hoje deitei-me junto a uma jovem pura
como se na margem de um oceano branco,
como se no centro de uma ardente estrela
de lento espaço.
Do seu olhar largamente verde
a luz caía como uma água seca,
em transparentes e profundos círculos
de fresca força.

Seu peito como um fogo de duas chamas
ardia em duas regiões levantado,
e num duplo rio chegava a seus pés,
grandes e claros.

Um clima de ouro madrugava apenas
as diurnas longitudes do seu corpo
enchendo-o de frutas estendidas
e oculto fogo. Acontece que me canso de meus pés e de minhas unhas,
do meu cabelo e até da minha sombra.
Acontece que me canso de ser homem.

Um bom período de férias em família é motivo de regozijo, nem que seja por um espaço temporal reduzido. Deliciei-me com um proverbial dulce fare niente na companhia dos dois seres que mais amo.

Agora sei que o tempo é algo de muito escasso, que a vida é, tal como o tempo escassa e irrecuperável. Sendo assim nada como parar para saborear cada instante presente e abstrair de todas as distracções temporais do passado e futuro.

Tal como o mestre me relembrou, devemos valorizar o presente e abstrair das ânsias fictícias do futuro e ignorar os fados passados. O caminho do meio, do presente. Nada nos desgraça mais que o peso de trazemos escusadamente do passado, ou por nos preocuparmos com conjecturas voláteis para futuros remotos. No meio desta presença pouco definida da mente no espaço-tempo esquecemos de sentir no nosso espírito o presente, a única e verdadeira faceta da realidade.

Por isso vou-me esforçar por me situar mais no presente vivido e real, sentir a vida tal como ela é, sentir a comunhão com o eterno que só se pode ter no momento presente.

Um bom período de férias em família é motivo de regozijo, nem que seja por um espaço temporal reduzido. Deliciei-me com um proverbial dulce fare niente na companhia dos dois seres que mais amo.

Agora sei que o tempo é algo de muito escasso, que a vida é, tal como o tempo escassa e irrecuperável. Sendo assim nada como parar para saborear cada instante presente e abstrair de todas as distracções temporais do passado e futuro.

Tal como o mestre me relembrou, devemos valorizar o presente e abstrair das ânsias fictícias do futuro e ignorar os fados passados. O caminho do meio, do presente. Nada nos desgraça mais que o peso de trazemos escusadamente do passado, ou por nos preocuparmos com conjecturas voláteis para futuros remotos. No meio desta presença pouco definida da mente no espaço-tempo esquecemos de sentir no nosso espírito o presente, a única e verdadeira faceta da realidade.

Por isso vou-me esforçar por me situar mais no presente vivido e real, sentir a vida tal como ela é, sentir a comunhão com o eterno que só se pode ter no momento presente.

Este é um dia que me aparece idílico, mas que estou preso nas contingências do quotidiano. A liberdade do espírito porém não é posta em causa, trata-se de circunstâncias iguais a tantas outras que nos limitam no espaço e tempo. No meu caso trata-se de uma secretária cinza, talvez disforme pelas suas dimensões exageradas, onde todos os dias úteis me coloco durante horas. Nada de diferente de tantos outros…

Segunda-feira é um dia que eu nunca apreciei. Tal como se pode ler no manual dos preguiçosos, este é o dia da semana em que os minutos se arrastam de forma mais monótona, e sentir o mercúrio dos termómetros a entrar em níveis apetitosos prova ser uma menos-valia para quem tem o seu ganha-pão afixado a uma secretária extra large. Pode ser enorme mas hoje sinto-a invulgarmente minúscula e claustrofóbica.

Resta-me o consolo de saber que em breve me vou perder nas Arábias na mais perfeita companhia.


Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esfera nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de luxúria.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perpassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua…
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.

Algo de verdadeiramente impressionante na vida é que esta se rege também de acordo com a lei do caos. Mesmo que se consiga idealizar um futuro, determinar as variáveis com mais impacto nesse espaço temporal, um pequeno batimento de asas de uma simples borboleta pode causar um furacão não esperado noutro espaço da nossa vida.

Mesmo quando os parâmetros estão cinzentos, e se faz uma previsão para uma chuva torrencial, pode aparecer a mais doce bonança. Tudo porque pequenas nuances escapam as equações dos modelos de previsão e que podem trazer fortes impactos. Mas é neste espaço de quase incerteza que a tômbola da vida gira e nos vai premiando com grandes jackpots. E isso é o piri-piri da vida.

Toda a minha pequena jornada tem sido disso exemplo: não se fazem planos que não possam ser abandonados logo que o caos no dê uma patada daquelas que doem. É necessário saber que na esquina está a mais profunda incerteza, mas que pode ser o el gordo, como não. Só é necessário comprar a rifa e não perder a esperança.

Eu tenho a noção que algures uma borboleta bateu asas e algo muito surpreendente se deixou abater de repente no meu presente. Viva o caos!

O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós

O espaço tem o volume da imaginação
Além do nosso horizonte existe outra dimensão
O espaço foi construído sem princípio nem fim
Meu amor, huuum, tu cabes dentro de mim

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

A nossa história começa na total escuridão
Onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão
A nossa história é o esforço para alcançar a luz
Meu amor, o impossível seduz

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Eternamente tu

Jorge Palma – 1989

Estava cansado e irritadiço, como uma criança que não dorme. Necessitava de um refúgio das insónias e do stress.
Não cruzei os braços e agi. Com alguma urgência que não entendia bem, com uma impulsividade nada comum.

E eis-me em direcção à serra dos meus antepassados, junto para as minhas raízes da raia em pleno dia de gelo. A viagem foi indecente, como a estrada. Mas eis que à chegada, acolhido pela noite e um vento glaciar regresso aquela casa de granito. De súbito a urgência da minha deslocação como que se desvendou, fez sentido. O meu tio completava setenta anos de vida e eu não o sabia. Inconscientemente a minha pressa tinha uma razão e isso era já um prenúncio de uma peregrinação bem-sucedida.

A casa estava quente apesar de o frio aparecer no exterior com um gume afiado e dilacerante. O amanhecer após uma noite de sono longo e sustentado como não tinha à muito tempo pareceu-me convidativo a mais uma incursão e comunhão entre o Eu e a imensidão do horizonte raiano.

Ao sair equipado para as caminhadas e intempéries fui atropelado por um caminhão TIR vindo directamente do árctico a ponto de ter que me reforçar com várias camadas de vestuário. E lá fui rumo a liberdade sem rumo numa caminhada nos planaltos agrestes. Vale após vale fui-me perdendo, absorto no silêncio perfeito de escutar o vento gelado, com a alma esvaziando a mente a cada passo, perdendo a noção de tempo. Logo o chão incrustado de geada, alternava com o gelo a que o regato transbordante se tinha transformado. O gado tentava ruminar o pouco feno pois os lameiros exibiam turfas de ervas congelada e aqui e ali uma ave de rapina esvoaçava, desesperada por um roedor para matar a fome.
Por pouco uma matilha de cães pastores de raça indeterminada, mas possantes não me tomava por um pilha-ovelhas ou lobo em pele de cordeiro.

Foi então que o vislumbrei lá longe. Cinzento e massivo, um enorme penedo reinava ao seu redor. Arredondado de um granito milenar da Serra chamava por mim, e sem perceber tomei o seu rumo saltando muros de pedregulhos instáveis e passado debaixo de arame-farpado.
Ao chegar a sua beira percebi que teria de o conquistar apesar das suas linhas circulares e esguias com mais de 5 metros de altura. Era como um conjunto de ovos graníticos alinhados. Após voltas e mais voltas, descobri-lhe os pontos fracos, um acesso quase inacessível para o topo das suas parábolas. A custo venci-o. E lá no alto pude ver quilómetros infindáveis, só, em comunhão comigo mesmo e com a natureza. Para além do rendilhado verde-escuro, traçado de linhas cinzas, cresciam as montanhas espanholas com neve nos cumes. Atrás o Sol brilhava acima dos últimos cumes da Estrela. Senti-me rejubilar e gritar de alegria por aquela conquista. E não fosse o corpo dar sinais que em breve estaria em precisar urgentemente de líquidos quentes por ali ficaria.

De volta as lides familiares, aproveitei para dar um passeio pela tarde até às terras da família munido com o meu olho mecânico, mas o frio crescia e as nuvens prometiam o tom escuro. Ao regressar o vento cortava as orelhas e a face parecia um mísero pimento dorido.

Ao anoitecer nevou. Primeiro a medo, pequenos flocos minúsculos. Já escuro, os flocos eram espessos e um manto branco pousou aliviando o frio e paralisando o vento. Branco níveo, buscava reflexos florescentes de azul. Berrava por dentro de emoção.
Na manhã domingueira na antecipação coloquei-me em novo percurso, desta vez calcando uma camada de neve já compactada, sentido o luz branca e intensa, perdido e zonzo com o espectáculo único. Frio por fora e quente por dentro, vi a neve escoando-se lentamente à medida que o Sol subia, calmo e sereno.

Compreendi que me falta espaço na cidade, onde os horizontes são cortados e curtos. Na aldeia não sofro da claustrofobia do horizonte. Nada esconde o limite do nosso olhar. E nada como o silêncio que nos acolhe e envolve na natureza para relaxar a alma.

Habitualmente termino do Verão coloca-me num espaço de ansiedade e melancolia. Setembro some-se rapidamente e os dias encolhem passo-a-passo anunciando o fim do estio e o inicio da reentre do frio.

Este ano contudo o Verão foi atípico, aguentando-se de unhas e dentes por Setembro fora. Isso evitou-me aquele sentimento ríspido do início do Outono e de me sentir cilindrado pelas primeiras ausência de Sol.

Fazendo o balanço contabilístico dos últimos meses não posso deixar de considerar que provavelmente todas as erupções e descargas emotivas que me assombram constantemente, tornaram-se menos intempestivas. Como que se a alma estivesse já calejada de um fluxo de atribulações tão permanente que agora qualquer tsunami não passasse de um ligeiro ondular.

Qual homem-bala, presencio a minha personagem, como alguém que se habituou a ser cuspido de um canhão a 160 kilómetros/hora para gáudio da multidão num circo com uma assistência cada vez exigente. O perigo e as lesões tornaram-se um local comum tão habitual que cada disparo e mais um ribombar rotineiro do maior espectáculo do mundo.

As fronteiras que delimitam os nossos movimentos podem ser prisões. Durante muito tempo deixei que a minha liberdade individual fosse reprimida, ou por assim dizer, que me colocassem grilhões contra a minha vontade.

Hoje sei que não permito que existam barreiras que me comprimam e me roubem o espaço vital que necessito para Viver. Acredito piamente que o destino somos nós que o fazemos, e que se baixarmos os braços os nossos horizontes rapidamente ficarão encurtados, ou pior, ficaremos reféns de estabelecimentos prisionais que nem sequer tentamos fugir. Não quero mais ser escravo das ideias preconcebidas nem da inércia rotineira.

É pena que demorasse tanto tempo a aperceber-me disso.

Que acabei de ler

Nunca se pode prever o que vai acontecer. Pelo menos a longo prazo, este conceito é unanime nas ciências exactas. Mas será que o espaço-tempo é linear? Talvez nunca tenhamos provas em contrário, muito embora existam aqueles inexplicáveis profetas.

Há muito tempo que me interessava por Nostradamus, mesmo antes da passagem do milénio, tendo lido um interessante livro de interpretação das Centúrias. Este profeta do séc. XVI usou um código emaranhado de latim, francês antigo, com alusões e metáforas simbólicas para designar zonas geográficas e personagens importantes da história.

Acabei de ler recentemente um livro editado em 1995 que, segundo o exegeta, cobre o fim de uma era de grandes conflitos que antecedem a entrada na era de Aquário, uma época que marca um longo período de paz mundial a partir de 2024. Até lá poder-se-ao esperar várias invasões da Europa, isto segundo o intérprete baseado em algumas centúrias. Estranho supor na actualidade tal desastre, mas o futuro é sempre incerto: há uns anos atrás se alguém afirmasse que WTC ia ruir depois de um atentado com dois Boings provavelmente era internado no Magalhães Lemos. Por outro lado, como raramente existem datas precisas, quando muito recorre a alinhamentos dos astros, nada nos garante que tais previsões se destinam a outros séculos que não o XXI.

Se o tal senhor previu com extraordinária precisão as guerras napoleónicas e as Grandes Guerras Mundiais é preciso dar-lhe algum crédito

Super!!!

Estou contente por partilhar este espaço com Dom Q, que de certo vai fazer umas visitinhas de vez em quando.

Bem-vindo Dom Q !

Há sempre um pequeino espaço na nossa memória para o que já passou. Mesmo que o Passado não mude e já não exista a não ser nas nossas recordações, que é reavivado de vez em quando por lembras divertidas ou caricatas.

Mas como diz a expressão inglesa :Who cares???

Nova semana começa prometendo um Jantar já no ninho.

É estranho que qualquer rotina entranha-se em nós ao fim de pouco tempo, apesar de sabermos que não vale a pena ganhar o hábito. São tarefas que se repetem dia após dia e que vão tomando conta da nossa consciência a ponto de nos comandarem.

Estou sereno e calmo como desde há muito tempo não estava. Já nem me lembro da última vez que na minha vida apareciam tantas encruzilhadas e atalhos e o caminho se tornava tão tortuoso. Apesar disso os meus horizontes estão mais alargados e não peco por me aborrecer com as trivialidades ou obstáculos. Eles existem, estão lá mas não me perco a hesitar e a temer o caminho que vou pisar.

Há sempre luz ao fundo do túnel e estou a beber as minhas recordações do Ceará, crescendo de dentro para fora, sendo mais pleno, mais equilibrado, mais forte.
Li algures que ”o teu pior adversário és tu mesmo” – nada é mais verídico hoje.

Meu irmão vem da ilha das bananas e dos cubanos amanhã por um curto espaço de tempo. Vou poder vê-lo depois de três meses de saudades.

Uma vez escreveu-me uma frase que me abalou numa altura que eu estava prestes a ceder à loucura:

Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudades mas não estará só.