Julho 2005

Estou politicamente desiludido. Raramente me perco em discussões políticas, nem tenho paciência para troca de apupos dogmáticos ou esgrima de argumentos ortodoxo-partidários. Isto não quer dizer que não me interesse pela política no sentido que os seus resultados têm consequências profundas na nossa , quer queiramos quer não.

Seguir as rixas políticas em foi sempre um segundo nacional. Basta ler Eça e perceber que nos ultimos 120 anos pouca coisa se alterou na maneira de estar na política portuguesa. Nunca entendi porquê, mas isso está intrincado na cultura lusa, de forma quase doentia.

Acho que o revela-nos muitas surpresas. A é feita de inúmeras etapas, mas que revelam um retorno cíclico de ambientes e envolventes. Apesar de mais (e quem sabe sábio), parece que volto a caminhar por caminhos já trilhados, mas tomando diferentes atalhos, em passos mais seguros.

Tal é o caso do retorno do Club Gourmet, que para muito espanto meu, assumiu uma forma que eu não seria capaz de imaginar. Questiono-me se o conceito de eterno retorno, não é mesmo verdade. Assumindo contornos diferentes reencontro-me em momentos de prazer pantagruélico. No último festival, apesar de sermos poucos mas muito bons, rapidamente o repasto se tornou uma agradável animação descontrolada, rematada pelo perigosissimo Rémy Martin que fez imensos estragos nas hostes.

Ainda surgiu um brinde irreverente, qual grito do Ipiranga, bastante unánime: o dinheiro não se leva para o caixão – sinal inequívoco que certos luxos são caros, mas que em certas alturas fazem sentido.

Já durava umas boas três horas, quando o paciente staff nos enxotou do restaurante, à porta do qual se pode assistir a uns bons e deploráveis momentos Kodak, incluindo a imagem surrealista de S. a debater-se convulsivamente no capôt de um Rolls-Royce. Mas esses fotogramas difusos fazem parte da mústica do Club Gourmet que de quando em quando, necessita de dar azo à sua excentricidade contida.

Dou por mim a usar a expressão latina sui generis como um martelo a cada meia dúzia de temas de , mas nada mais natural de que ter os neurónios satisfeitos e preguiçosamente tocados, como num retorno a outros momentos histó.

A história repete-se. Mas não na exactidão. Assim como as ”Bom-bokas” não voltarão a estar na moda, também nada se repete integralmente. Espero!!!

Mais um aniversário deste , faz-me pensar na sua longevidade e na sua razão de ser. A titulo de balanço, posso considerar que este espaço me proporcionou muitos bons momentos e alegrias, mas também uma resma de dissabores. Contudo, e pesando com cuidado os pratos da balança, creio que é razoável dizer que a deste meliante teve mais algum colorido graças ao psicotico.com.

Durante quatro anos, ele foi receptáculo de muitos momentos de ou desespero, um confidente subtil e também um campo para dar largas a algumas excentricidades.
Dando-lhe uma vista de olhos no seu passado (way back), para os tempos que o fenómeno de blogs era geek hardcore e não massificado como hoje, fico espantado na forma como a minha vida tem sido.

Parece-me bem polvilhada de alterações de percurso, apimentada com derrocadas alternadas com reconstruções. Junte-se umas pitadas de pacatez, dois dentes de excentricidade, e q.b. . Depois leva-se a lume brando e depois serve-se a quente com dois raminhos de entusiasmo.

O Passado, as idas pendulares, a grande cidade/minha cidade, as tempestades, o clube groumet, as noites Kitten, o maralhal de iniciais para identificar as personagens, o enredo velado, os Damage report,os desabafos expresso, o anjo sem asas, as fotos, os poemas, as injecções de serotonina, as psicoses, a América do Sol, as letras, as músicas, os forcados amadores, a Vida, etc., hoje parecem-me recordações fantasiosas, mas que não deixam de ser uma lembrança real que está num expositor online. De mim próprio, para o próprio autor, uma ferramenta auxiliar de memória que me ajuda a perceber, os meus fracassos e êxitos, as minhas descobertas e os o meus erros.

E tudo cabe num backup de 1 megabyte. Uma diskette em que cabem partes dos últimos quatro anos da minha existência. Obrigado e parabéns.