observacional

Nesta época em que se aproxima o estio, o cansaço aperta de mãos dadas com o calor. Recordo-me que há uns bons anos atrás quando trabalhei temporariamente na grande cidade, e que comecei a escrevinhar aqui, de sentir o calor esmagador de um Agosto interminável. Ainda não é Agosto, mas sinto essa mesma sensação de desnorte. Quando inevitavelmente terminou esse Agosto seguiu-se pouco depois um acontecimento que marca o fim uma época da humanidade: tal como a queda de Bizâncio – o ataque à torres gémeas.
Aquela derrocada ainda hoje se faz sentir no meu ponto de vista ergue-se cada vez mais uma nova era, que está repleta de maus agoiros. O cheiro a guerras, fomes, pestes e mortes abunda cada vez mais nestes tempos tristes. O populismo das políticas mais xenófobas, do crescente ódio aos estrangeiros e emigrantes, do capitalismo cada vez mais desregulado que abundam na Europa e no resto do mundo, que se parecem cada vez mais com as lições esquecidas da História dos anos trinta do século passado.
Aqui neste jardim à beira-mar plantado vivem-se tempos de pós crise económica, mas vivemos ensombrados com os bombardeamentos de notícias sensacionalistas do exterior e de não-noticias do que se vive neste pacato país. Caem ficticiamente aviões Canadair e fazem-se contabilidades mórbidas de incêndios catastróficos onde se debate se morreram 67 ou 68.
Talvez se tenha perdido o foco do que realmente interessa: não presenciamos o presente nem tentamos melhorar o futuro. Vivemos um presente medroso cheio de factos alternativos que nos chega a casa pelos média e pela internet sem filtros. Temos medos e ódios incutidos pelos debates de 5 minutos e por ideais feitos por chavões desprovidos de conteúdo. Sejamos grandes novamente, dizem. Sejamos algo integro, digo.

So you’re on the floor, at 54
Think you can last – at the Palace
Does your body go to the to and fro?
But tonight’s the night – or didn’t you know
That Ivan meets G.I. Joe
He tried his tricks- that Ruskie bear
The United Nations said it’s all fair
He did the radiation – the chemical plague
But he could not win – with a cossack spin
The Vostok Bomb – the Stalin strike
He tried every move – he tried to hitch hike
He drilled a hole – like a Russian star
He made every move in his repertoire
When Ivan meet G.I. Joe
Now it was G.I. Joe’s turn to blow
He turned it on – cool and slow
He tried a payphone call to the Pentagon
A radar scan – a leviathan
He wiped the Earth – clean as a plate
What does it take to make a Ruskie break?
But the crowd are bored and off they go
Over the road to watch China blow!
When Ivan meets G.I. Joe

Ivan Meets G.I. Joe – The Clash

Tirando António Costa que mal abriu a boca, o PS e a esquerda em geral têm dado um triste espectáculo da sua verdadeira natureza, que às vezes chega a roçar e a entrar na pura obscenidade. No PS, a gente de um lado e outro usa (com poucas variantes) a velha “língua de pau” de 1975, que nos fez rir durante 30 anos. Ninguém fala de política: da situação do mundo, da “Europa” ou sequer de Portugal. Ninguém fala da estratégia conveniente ou aconselhável para o partido, mas nos méritos e deméritos dos dois putativos candidatos, na “lealdade” e “gratidão” ao chefe ou nos triunfos que Costa infalivelmente trará consigo. O que estas parlapatices da hipocrisia, do oportunismo e da má-fé podem interessar ao cidadão comum é coisa que não interessa aos “notáveis” que a televisão convida ou escrevem doutoralmente para um jornal qualquer.

Nunca a “classe partidária” mostrou com maior clareza a sua vacuidade e o seu egoísmo. Trata sempre a situação do país como se tratasse do futuro de uma fábrica de sapatos: será que a baixa das vendas é irreversível ou temporária? Será que a concorrência vai aproveitar a oportunidade? Será que os lucros não são suficientes para investir e alargar o mercado? Não seria bom “lançar” um novo modelo, para aproveitar a moda? E não seria bom mudar de director? Sem o pormenor irrelevante dos “sapatos”, que diferença se consegue encontrar entre essa benemérita fábrica e um PS, que pretende reformar a “Europa” e salvar Portugal? Nenhuma ou tão ténue que não se distingue. Os campeões do socialismo não passam de uma empresa vulgar, com exclusivos critérios comerciais, tal qual como as gaba o famigerado “neo-liberalismo”.

Fica ainda a poeira da extrema-esquerda. A extrema-esquerda não sabe o que há-de fazer à vida. Gostava, como um adolescente, de ser rica e “famosa”, e de arranjar um namorado. Mas nada infelizmente a recomenda, excepto uma condenação genuína do estado do país. Só que a terapêutica que se propõe aplicar mataria o doente e 80 por cento dos portugueses percebem isso muito bem. Claro que muitas pessoas do Bloco ou do PCP, como o simpático e confuso João Semedo, merecem a nossa estima. Mas, como se sabe, a mistura entre os bons sentimentos e o espírito de missão tende a criar fanáticos; e o fanatismo leva rapidamente à intolerância e à intriga. O buraco de víboras em que se tornou o radicalismo português, além de paralisar o PS e o regime, não serve para nada e envenena o ar.

Vasco Pulido Valente in Público

Não sei o que pensar sobre os tempos que correm. Já sou algo idoso para perceber que o tempo acaba sempre por nos ultrapassar e nos tornar obsoletos. Ficamos como peças anacrónicas desprovidas de utilidade num mundo que se actualiza e moderniza mais depressa do que conseguimos acompanhar.

Talvez ei não seja assim tão velho, mas sim um terrível pessimista que se deixa quebrantar por alterações do modus operandi. Talvez devesse investir no rejuvenescimento do software e instalar um sistema operativo mais recente, mais ajustado ao universo que me rodeia sem contudo perder a identidade intrínseca que me faz a essência.

Gosto de ser um ser pensante e não um mero condicionado pavloviano, e ajustado a um equilíbrio entre o quixotesco e o sancho panchismo, mas as condicionantes actuais fazem-me esconder numa carapaça com mesclas antagónicas de maquiavelismo e estoicismo.

Filosofias à parte trata-se de evoluir para sobreviver.

Mesmo um exame superficial da história revela que nós, seres humanos, temos uma triste tendência para cometer os mesmos erros repetidas vezes. Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós. Quando ficamos assustados, começamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam. Temos botões de fácil acesso que, quando carregamos neles, libertam emoções poderosas. Podemos ser manipulados até extremos de insensatez por políticos espertos. Dêem-nos o tipo de chefe certo e, tal como o mais sugestionável paciente do terapeuta pela hipnose, faremos de bom grado quase tudo o que ele quer – mesmo coisas que sabemos serem erradas.

in Carl SaganO Mundo Infestado de Demónios

Com as chuvas persistentes sinto a forma agradável como o outono nos convida a ficarmos mais introspectivos e ao mesmo tempo mais dados à família.  Um tempo para nós, para os nossos pintado num quadro de céu cinzento, conforto da nossa sala e os risos de dois adultos e dois petizes.

Para quê assumir que  a vida é feita de conquistas físicas e sociais? Não o creio. A vida é tão somente vencedora num dia de sorrisos cúmplices. Nós.

 

A tecnologia informática  tem avançado enormemente desde que cometi a improcedência de iniciar um blog.  Actualmente  a simplicidade e variedade das ferramentas dirigidas a um diário online é tanta que tenho impressão que há doze anos atrás estava a usar uma espécie de pedra lascada. Porém isto não é um mar de rosas, nem existe uma situação idílica que me deixa extravasar livremente palavras a gosto na web.

Para quem escreve ou tenta escrever algo nos seus tempos livres  tanta tecnologia em vez de auxiliar a caneta, torna o momento da  escrita algo insípido. Isto para não falar nos tantos pontos de distração que levam a mente a divagar para mil zonas nas redes sociais ou nas mensagens instantâneas.
Mas talvez haja salvação. Seguir a velha máxima:

Keep it simple

Os donos do Pingo Doce quiseram esfregar-nos na cara o nosso egoísmo, a nossa venalidade, a tremenda distância que nos separa dos outros, desde que de permeio esteja o nosso umbigo. Quiseram fazer-nos provar a gordura cobarde que temos em vez de músculo; explicar-nos, muito devagar, como se fossemos imbecis, que nada nos custa pisar as vidas dos vizinhos desde que seja para alcançar couratos a metade do preço. E conseguiram. Anunciaram primeiro que iam obrigar os seus trabalhadores a laborar no feriado do 1.o de Maio.

Quando alguma polémica eclodiu, sujeitaram a referendo nacional a solidariedade da manada tuga: “E se vos déssemos um desconto jeitoso, ainda ficariam do lado dos oprimidos, ou correriam por cima deles para agarrar vinho em saldos?” O resultado viu-se ontem pelas nossas ruas: milhares a encher bagageiras com os despojos dos direitos dos outros.
Nas declarações de rapina, o gáudio cheirava-se à légua: “Podemos registar o entusiasmo e a euforia dos nossos clientes, que precisam de campanhas como esta.” Como precisamos, foi só assobiar para nos pormos de cócoras, orifícios lubrificados pela nossa própria cupidez.

Pouco depois, quase todas as grandes superfícies comerciais decretavam, à força de intimidação, a morte do 1.o de Maio. Mais um capítulo na história da infâmia em que vamos dando razão ao ditador que nos baptizou como “uma nação de cobardes” – acrescentámos ontem a palavra que faltava: “Glutões.”

Crónica de Luís Rainha publicada no i

Um estudo recente conduzido pela Universidade Técnica de Lisboa mostrou que cada português caminha em média 440 km por ano.

Outro estudo feito pela Associação Médica de Coimbra revelou que em média, o português bebe 26 litros de Vinho por ano.

Conclusão:
Isso significa que o português, em média, gasta 5,9 litros aos 100km, ou seja… é económico!

No passado assumi que seria apenas uma questão de encontrar os eixos para que a minha vida se endireitasse. Porém não foi tão fácil assim. Não havia na minha consciência qualquer discernimento no que tocava aos meus objectivos. Estava sem rumos portanto.

Foi preciso passar as passas do Algarve e bater com o nariz em muitas portas para perceber que a minha motivação imediata não me leva a nenhum ponto em concreto, mas sim e apenas me levava a correr e estrebuchar em desafios sem metas à vista.

Foi preciso cometer erros de palmatória, ser um mentecapto nos relacionamentos e hipotecar muitos dos meus princípios para compreender que a vida e o destino estão nas nossas mãos mas que não nos caem do céu. Se em muitas frentes já não consegui reerguer a obra, noutras frentes, qui ça, as mais importes na Vida consegui mostrar obra.

E algures na mente ficam novas obras em projecto, para em breve meter mãos à obra, na certeza porém de que não há certezas.