2015

A política interessa-me e simultaneamente dá-me um enorme nojo. Primeiro porque gere o presente, o nosso dia-a-dia, direta ou indiretamente, e além disso é uma espécie de planear do futuro que envolve toda a nação. Porém a repulsa que me apoquenta é enorme e prende-se com as personagens que temos na campo político que temos.

Depois das eleições assistimos uma guerra palaciana, entre ajuntamentos improváveis e compadrios insólitos, agendas ocultas e insultos. Dramas teatrais com tomadas de posse de governos de duas semanas e a atitudes de um Presidente da República que mais parecia um dirigente desportivo. Tudo se jogou debaixo da mesa e os perdedores que se acharam vencedores fizeram birra.

Foi talvez demasiado triste e deixou óbvio que por detrás de divisões de doutrina e ideias políticos apenas se escondem egos e ambições e não o civismo e cidadania que são a génese do que idealizamos por democracia.

Não nos enganemos que o que chama um líder ao poder não é o dever de estado, mas sim a ambição de poder, mas atualmente neste Portugal infelizmente não há líderes. Tão só não há líderes, como também os que tentam fazer esse papel não passam de técnicos maquiavélicos de intrigas de bastidores. São pessoas que fizeram carreira na política sem darem mostras de nenhum predicado a não ser a retórica, troca de favores e movimentos de bastidores. São tão só lambe-botas que chegaram ao poleiro. E como é só isso que são capazes de fazer, seus únicos predicados, tornam-se dirigentes de um país totalmente incapazes de governar e fazer reformas necessárias.

E assim parece que a nossa democracia se vê mergulhada num ciclo vicioso de governos medíocres e ausência de lideres capazes. Mas pensando bem esse foi sempre o cariz da história portuguesa: somos um país e um povo com potencial desbaratado por chefes incapazes.

Faz já umas longas seis semanas que me vejo impossibilitado de correr. Num dos treinos noturnos tardios em que me propunha a fazer uma leves 10 km urbanos eis que a desviar-me de o camião do lixo e dos funcionários de recolha de resíduos urbanos não vi que o asfalto da rua estava armadilhado e fiz um entorse no tornozelo esquerdo. E como um principiante apesar de ter esmurrado todo ao deslizar pelo chão tentei ainda voltar a correr. Dez metros depois percebi que a aquela corrida acabara e que me esperavam dos dolorosos quilómetros a marcar até casa.

Passados estes dias todos sinto o corpo entorpecido e a reclamar por uma boa corrida. Mas pior é a minha mente que exige o relaxante exercício e passeio higiénico de uma corrida, como se o meu cérebro fosse já um junkie pelo running.

Já sabia que correr pode ser tornar uma espécie de dependência, salutar mas um vicio onde as endomorfinas que a corrida origina abastecem o cérebro de boas sensações durante e após a corrida.

Privado da minha fix além de acumular um quilogramas a mais tenho também que me deparar com as pequenas depressões da ressaca da corrida. Não vejo a hora de me sentir capaz de fazer meia milha sem sentir o meu tornozelo a ser trespassado por agulhas de tricot. Resta-me ser paciente e esperar.

Voltei com a mesma fome
Ai como andara enganado
A quem renega o seu fado
Nem o céu lhe sabe o nome

Não achei o paraíso
E sei que tudo é pequeno
Mas no teu rosto sereno
É cada ruga um sorriso

Encontro as flores outra vez
O sol perguntou por mim
E foi sobre o meu jardim
Que uma nuvem se desfez

Na firme paz de quem ama
Acabei o meu desatino
Vejo os sonhos de menino
Á roda da minha cama

Adeus ó ilhas desertas
Velas Á raiva do vento
A cadeira em que me sento
É as minhas descobertas

Nem mesmo o teu fumo quero
Meu cachimbo de Xangai
Agora que já sou pai
No meu filho é que me espero

Ó sombra da minha sorte
Que traí com cem mulheres
Podes vir quando quiseres
Senhora da Boa Morte

Medeiros/lucas – Mar Aberto,

When you opened my heart I was thrown
Deep into the Milky Way
The adrenaline rush that I got from the crush blew me away
Opened doors, opened wide, deep inside
You rose in a certain way
I could feel how you grew and I knew
You would steal my heart away

Deep inside, deep inside
Why did you just steal my heart and go
Deep inside, deep and tight
My teeth are sore on your front door
I’m dry, I’m dry, I’m dry, I’m dry
Deep inside the Milky Way

Now I’m pushed and I’m pulled
I feel flushed
I’m completely out of place
And the blood that was boiling with lust
Now is frozen in my veins
I am stuck in a rut with the thought
When my life was swept away
How cathartic when my heart exploded
Inside the Milky Way

Deep inside, deep inside
Why did you just steal my heart and go
Deep inside, deep and tight
My teeth are sore on your front door
I’m dry, I’m dry, I’m dry, I’m dry
Deep inside the Milky Way

«Deep inside» by GusGus

É com uma enorme vergonha e até repúdio que descubro nas redes sociais tanta gente expressando a sua xenofobia. Tudo porque nos é pedido, a nós portugueses, para darmos acolhimento aos refugiados sírios.

No meio do desastre humanitário que é guerra civil Síria é confrangedor ler tantos disparates acerca de emigrantes árabes como se todos fossem uma cambada de adeptos do ISIS infiltrados na Europa. A santa ignorância faz com que pessoas pacatas mostrem a fraca fibra moral. A Síria é das poucas regiões do médio oriente onde conviviam várias religiões, inclusive a cristã. E a julgar pelo andar na guerra naquele país, serão esses cristãos que mais temem pelas suas vidas a ponto de tentarem chegar apesar dos inúmeros perigos aos tolerantes países europeus. Mas ao que parece, para muitos países europeus essa tolerância está só escrita nas suas constituições. O medo e o ódio acerca destes acontecimentos muito me recorda o pesadelo de há 70 anos com os senhores das suásticas.

Neste caso, a estupidez humana não para de me surpreender: muito porque a falta de cultura e a iliteracia imperam cada vez mais na era da Internet – e ao contrário do que eu suponha – quanto mais informação (e desinformação) a circular, mais fácil é manipular os estúpidos. É para piorar tudo, os estúpidos têm voz nas redes sociais e as suas afirmações ignorantes chegam sempre aos ouvidos de outros patetas que preferem ler mensagens de medo e ódio, do que simplesmente consultarem a wikipedia.

Ajudar quem está em perigo de vida é um dos lemas teóricos da racionalidade humana, a solidariedade uma das premissas da vida em sociedade, seja qual for a religião ou credo. E manifestamente isso está esquecido.