Faz anos que embarquei numa aventura arriscada de emprego. Tentei seguir um rumo difícil e sem garantias, como migrante na capital em busca do El dourado profissional. Tal empresa estava condicionada à partida por vários vícios internos uma vez que no meu intimo eu encarei a mudança de cidade como algo probatório e nunca definitivo.

Foi no clima de teste que este diário se começou a escrever por si próprio num misto de busca por explicações para o sucedido, e por outro lado para evitar a solidão do desenraizamento a que me vetei voluntariamente – queria provar que eu era um bom profissional e que era um corajoso radical capaz de deixar tudo para trás das costas. Foi neste clima meio absorto que eu cometi um erro de vida crucial – um erro que me deu muitos dissabores, mas que foi uma importante lição de vida: eu errei porque estava a seguir um rumo em que tinha algo a provar aos outros e não a mim próprio.

Foi assim que eu embarquei num barco sem rumo definido, com todas os problemas que ocorrem quando se viagem sem destino. Por isso rapidamente todo o processo se tornou um sacrifício que relutantemente tive que aguentar ainda mais cinco meses. Foi cansativo. Mas aprendi uma lição muito valida – só temos coisas a provar a nós próprios.

Cada macaco no seu galho, e uma expressão muito comum, mas que se traduz num enorme rol de considerações. A hierarquia, a burocracia e o conservadorismo reaccionário defendem-se segundo esta curiosa máxima.

Pessoalmente acho que no nosso país esta expressão é levada a letra e questões de autoridade formal são levadas à letra, por muito que a hierarquia seja instituída de forma rocambolesca. Nas empresas normais, pela maior parte dos países desenvolvidos, o chefe é encontrado por mérito e provas dadas, mas infelizmente aqui existem critérios extra gestão que entopem a capacidade competitiva e evolutiva das empresas – tornando-se no fundo incapazes de evoluir e competir.

A «cunha» e os «lambe-botas» são os principais critérios de evolução das carreiras ao contrario da competência e mérito e os ganhos altos são preenchidos por incapazes e incompetentes para os cargos que se dedicam exclusivamente a manter o status quo, maltratando os subordinados e obedecendo cegamente a qualquer ordem, mesmo que totalmente irrealista vinda de cima.

Curiosamente a expressão macacos sem galho é algo que se me faz lembrar o desnorte político e democrático da República Portuguesa…

Navegando em mares recorrentes, sem nenhuma água salgada na companhia das mulheres da minha vida, foi uma experiência nova e alegre. Muito me apraz pensar que sou um gajo afortunado e que o destino me foi muito favorável, na vida confortável que me reservou.

Com horários rígidos e responsabilidades diferentes a minha praia foi aproveitada a conta-gotas e o solário foi o solução recorrente. A calma e o descanso pautaram um gosto pela preguiça e pelo prazer de estar a viver um doce sonho.

Mas além do mar salgado, tive ainda tempo para desfrutar da urze raiana, das longas viagens entre as três fortalezas fronteiriças, por entre ondas de vales e montanhas. As cidadelas estavam lindas, bem cuidadas e remontavam a um presente orgulhoso do passado, agradável à vista e aos turistas.

Foi bom , terno e curto.

Um bom período de férias em família é motivo de regozijo, nem que seja por um espaço temporal reduzido. Deliciei-me com um proverbial dulce fare niente na companhia dos dois seres que mais amo.

Agora sei que o tempo é algo de muito escasso, que a vida é, tal como o tempo escassa e irrecuperável. Sendo assim nada como parar para saborear cada instante presente e abstrair de todas as distracções temporais do passado e futuro.

Tal como o mestre me relembrou, devemos valorizar o presente e abstrair das ânsias fictícias do futuro e ignorar os fados passados. O caminho do meio, do presente. Nada nos desgraça mais que o peso de trazemos escusadamente do passado, ou por nos preocuparmos com conjecturas voláteis para futuros remotos. No meio desta presença pouco definida da mente no espaço-tempo esquecemos de sentir no nosso espírito o presente, a única e verdadeira faceta da realidade.

Por isso vou-me esforçar por me situar mais no presente vivido e real, sentir a vida tal como ela é, sentir a comunhão com o eterno que só se pode ter no momento presente.

Estirado na areia, a olhar o azul,
ainda me treme o parvalhão do corpo,
do que houve que fazer para ganhar o nosso,
do que houve que esburgar para limpar o osso,
do que houve que descer para alcançar o céu,
já não digo esse de Vossa Reverência,
mas este onde estou, de azul e areia,
para onde, aos milhares, nos abalançamos,
como quem, às pressas, o corpo semeia.

Um bom período de férias em família é motivo de regozijo, nem que seja por um espaço temporal reduzido. Deliciei-me com um proverbial dulce fare niente na companhia dos dois seres que mais amo.

Agora sei que o tempo é algo de muito escasso, que a vida é, tal como o tempo escassa e irrecuperável. Sendo assim nada como parar para saborear cada instante presente e abstrair de todas as distracções temporais do passado e futuro.

Tal como o mestre me relembrou, devemos valorizar o presente e abstrair das ânsias fictícias do futuro e ignorar os fados passados. O caminho do meio, do presente. Nada nos desgraça mais que o peso de trazemos escusadamente do passado, ou por nos preocuparmos com conjecturas voláteis para futuros remotos. No meio desta presença pouco definida da mente no espaço-tempo esquecemos de sentir no nosso espírito o presente, a única e verdadeira faceta da realidade.

Por isso vou-me esforçar por me situar mais no presente vivido e real, sentir a vida tal como ela é, sentir a comunhão com o eterno que só se pode ter no momento presente.

Criar uma criança nesta época é acto de fé. Não é possível de forma racional fundamentar o milagre de trazer um novo ser a este mundo, numa perspectiva conjuntural de declínio civilizacional.

A crise do petróleo, o espectro da fome, a crise financeira do subprime, a ameaça da gripe das aves, o aquecimento global, entre outros, são cenários reais demasiadamente sérios e nefastos quando se medita num paradigma tão simples que se coloca a qualquer progenitor: que futuro vão ter os meus rebentos? A incerteza de futuro e as perspectivas sombrias das próximas décadas não auguram nada de promissor.

Mesmo com horizontes negros, coloca-se o sonho individual de constituir família e descendência, de se amar, de se tentar ser feliz. E repensando a história, quase todos os momentos de 6000 anos de civilização documentada, sempre existiram sombras, apocalipses, crises. E não foi por isso que o ser humano deixou de ter que viessem momentos melhores no futuro para os seus.

Actualmente as chuvas de Abril estão a comprimir a minha necessidade renovada de open spaces.

Espero que a Primavera se renove convenientemente para que a minha forma física possa ser perseguida com a ajuda de de um Nike Plus que tem estado negligenciado. Anseio por ouvir as minhas músicas favoritas a suar e ultrapassar os novos limites. Os meus quilos extras estão a precisar!

Já começou a caça ao voto e aos parvos.

O IVA 20% é o sintomático exemplo que não existe na nossa classe politica (III Republica) ninguém que não se regesse por motivos eleitoralistas e não por motivos estratégicos.

Em suma, todo o esforço de suportar um imposto mais oneroso durante anos vai ser destruído pois o grande asno das coincineradoras e Engenheiro à pressa Sócrates quer conservar o poleiro.

O apertar do cinto que o estado esteve a exercer nas vacas magras vai ter que ser esbanjado para que mais uma vez o calendário eleitoral seja cumprido. A necessidade que o partido que está no poder tem de dar mostras de uma falsa eficiência é tanto que é preciso mostrar aos menos avisados que os impostos vão descer.

Mera ilusão para os parvos que fazem cruzes. Que o rigor orçamental vá para as urtigas pois estamos em crise. Depois daqui a dois anos aumenta-se o IVA novamente. E é assim que se governa Portugal.

Saber de antemão que a vida muda radicalmente numa determinada etapa da nossa vida é importante, mesmo que não tenhamos consciência da forma telúrica com que essa alteração nos afecta.

A passagem para uma nova fase da minha vida está a ser um mar de descobertas e entusiasmos nunca antes previstos. Até o que de antemão se afigurava como um processo potencialmente desconcertante e exigente psicologicamente foi antes um conjunto de realizações pessoais reconfortantes e uma aprendizagem impagável sobre mim próprio.

Hoje, mais que nunca estou plenamente convicto que para sermos capazes de Viver é necessário sentir na pele quer o êxtase da felicidade mais pura e o desespero da descida ao mais fundo dos infernos. Só assim somos capazes de encontar no nosso intimo a veracidade dos sentimentos e saber a sua importância e o seu realismo. E nos momentos em que surge uma ansiedade e se coloca um novo marco, fica nas nossa veias a sensação que a existência tem um novo significado maravilhoso

Um milagre. Apenas e só : e que por questão de fé não é necessário desenterrar nenhum dos porquês de tanta felicidade- eles estão estampados num sorriso.

Subitamente apeteceu-me escrever. Escrever como se nenhum momento de intervalo estivesse intercalado entre este momento e o anterior, como se todo o conteúdo que se passou entre o ponto A e o Ponto B estivesse suspenso.

Por isso escrevo. Porque este ponto B é um ponto sem antecedentes de dormência o relaxamento. É apenas o ponto B, onde o ponto A não faz sentido nem na distância, nem na origem. Por vezes temos que ser condescendentes com o nosso passado para que tenhamos um presente sem pressões. E de súbito sem pretensões apeteceu-me acrescentar mais um capítulo a esta espécie de diário, só para me lembrar que existe um ponto C.